Eu poderia começar a falar sobre a torre Sky Costanera em Santiago como se fosse apenas um ingênuo mirante que permite uma vista panorâmica da cidade em 360 graus. Porém, como sempre propomos, conhecer uma cidade é mais do que fotografar a imagem, mais do que uma check list na qual tiramos fotos sem sermos capazes de voltar e ter uma história para contar.

Mas então, o que significa essa enorme torre para nós chilenos? Para alguns, a torre Sky Costanera pode significar o progresso, pois é o edifício mais alto da América Latina e existe quem interprete isso como desenvolvimento. Para outros, o mirante simplesmente interrompeu para sempre nosso horizonte marcado pela cordilheira.

A simbologia consumista que a torre Sky Costanera possui no meio de Santiago 

O dono desse enorme edifício, que se chama Sky Costanera e tem 62 andares e 300 metros de altura, é Horts Paulmann, o segundo homem mais rico do Chile e um dos 450 mais ricos do mundo. Ele também é dono da maior rede de varejo da América Latina, composta pelas lojas Paris, Easy e Jumbo, e a terceira maior do continente. Sem dúvidas é o triunfo de uma forma de pensar da sociedade consumista, onde a nossa paisagem pode ser interrompida, intervinda e até mesmo violada por uma estrutura que rompe o marco urbano da cidade. Em Paris, a torre Montparnasse, com seus 209 metros, foi o começo e o fim de uma forma demolidora de pensar o espaço urbano. “Nunca mais”, disseram os parisienses diante daquela enorme massa que escureceu mansões. Em um país como esse, onde a memória é o consumo, há muitos que dizem “Bem Vindo” à torre Sky Costanera.

Sabendo disso, subamos nesta torre, olhemos essa Santiago que ainda nos resta, esse morro San Cristóbal que, ao lado da torre Sky Costanera, parece não entender por que perdeu o protagonismo.

 A vista de Santiago que o mirante Sky Costanera nos presenteia.

A viagem até o penúltimo e até o último andar da torre Sky Costanera, nós fazemos em um elevador que promete nos levar ao topo em menos de 43 segundos. Um guia bem-humorado tenta dar solenidade e interesse para um assunto que parece não se sustentar sozinho. Mas aqui vamos nós, na promessa de ver o céu encostado na montanha nas últimas horas da tarde, o qual me motiva a continuar. Uma vez lá em cima, após abrir a porta do elevador, chegamos ao penúltimo andar. Com uma computação gráfica, observamos lugares emblemáticos de Santiago. Binóculos estrategicamente posicionados nos fazem ver as pessoas lá embaixo como formigas. No último andar, e já a céu aberto, guias em português, inglês e espanhol nos ensinam coisas sobre a paisagem que podemos ver somente quando olhamos de longe.

Estamos no lugar mais alto da América Latina. Nos prometeram lojas de souvenir, restaurantes, e imagino que a proposta incluirá, no futuro, um bar de espumante, como na torre Eiffel. Na forma “Chilean Way” às vezes aceitamos cópias.
Se me perguntarem se vale a pena subir a torre Sky Costanera em Santiago, eu diria que sim. Pode ser uma boa maneira de entender a dimensão da paisagem, seus fluxos e suas ruas. Mas, se me permitem um conselho, façam isso sem devoção, sem fanatismo, com os olhos abertos, entendendo o conceito.

Reservem a emoção para depois, para o dia em que irão colocar seus sapatos viajantes e subirão pausadamente as verdadeiras alturas de Santiago, as colinas, os morros, a cordilheira. De lá, o céu não se vê enjaulado, a paisagem se toca e respira sem a frieza do cimento e o horizonte não se expõe como em um museu, sem poder tocá-lo.

 Valores para visitar o Sky Costanera em Santiago:

De Segunda a Sexta:

Criança (4-12) $ 3.000
Adulto (13-64)$ 5.000
Idoso (65+) $ 4.000
Estudante (Passe Escolar) $ 4.000
Fast Pass $ 12.000

De Sexta a Domingo e Feriados:

Criança (4-12) $5.000
Adulto (13-64) $8.000
Idoso (65+) $5.500
Estudante (Passe Escolar) $5.500
Fast Pass $ 12.000

4 COMENTÁRIOS

  1. Que texto bem escrito e realmente profundo sobre o que procuramos em uma viagem. Adorei sua sinceridade e a forma como percebe o mundo e suas belezas. Parabéns!

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