Antes começar a ler, recomendamos colocar play na música “Aguila Sideral” de Los Jaivas!

Embaixo dessa densa capa de neve que a cada inverno completa a uniformidade da paisagem da Cordilheira dos Andes no Chile, segue palpitando, mais vivo que nunca, seu o coração. É necessário lembrar, sobretudo para aqueles que somente conhecem a Cordilheira dos Andes nevada, que esse conjunto de montanhas tão extenso e variado como a história da América Latina, e que o seu sangue continua fluindo ainda quando não o vemos.

A Cordilheira Andes no Chile é muito mais do que a majestosidade dos cumes nevados, ou as mega infraestruturas dos Centros de Ski. A Cordilheira dos Andes é os tropeiros anônimos que arrastam manadas de animais pela madrugada, o céu aberto pleno e estrelado mais brilhante desse lado do mundo, é o caminho áspero e cheio de poeira que dá lugar para que se abram pequenas veias de água limpa que fluem, e que voltam a povoar a alma de quem transita sobre ela. Poderíamos ficar dias inteiros falando sobre a Cordilheira dos Andes, porque em cada subida o nosso coração tem aprendido esse idioma silencioso que a natureza impõe para voltar a nos educar no rigor e respeito. Respeito ao trabalho monumental que ela mesma desenvolve, quando com suas próprias mãos abre a terra para extrair dela essas rochas imponentes, quando ara, no meio de um mundo cheio de caos, caminhos silenciosos, onde o homem nunca esteve.

O respeito que a Cordilheira dos Andes no Chile nos inspira

Por isso, quando o homem ingressa na Cordilheira dos Andes no Chile deve fazê-lo em silêncio, abaixar a cabeça e reinstalar na alma tudo aquilo que perdeu na agitação da vida cotidiana, justo quando pensa que está ganhando o que sonhou em ter. Porque quem conhece essa cordilheira cheia de pó e espinhos, incalculável, sabe que de alguma misteriosa maneira ali reencontramos algo apreciado e perdido, como se a natureza tivesse deixado ali sabendo que em algum momento voltaríamos por ele. Nenhum homem ou mulher sai de lá como chegou. A Cordilheira dos Andes restitui em nós a nossa origem, essa criança que fomos e que se maravilha com as ondas do mar ou com o som do fogo. A Cordilheira dos Andes devolve uma versão de nós que achávamos perdida, uma criança, que tinha deixado de se maravilhar.

 

Essa pequena pausa foi escrita especialmente para quem acha que a Cordilheira dos Andes somente existe na sua fria brancura. É um convite para redescobrir uma paisagem que se completa somente quando fechamos os olhos e respiramos a nós mesmos, lentamente, e nos reconhecemos como seres no mundo, vivos e assombrados pela paisagem de cânion do Cajón del Maipo, submerso em águas termais que a profundidade da terra faz emergir morna e curadora; nas famosas Termas del Plomo ou nos Baños de Colina; ou perplexos e intermináveis ante as águas do Embalse el Yeso, com uma cor azul que ficará na sua alma por toda a vida.

Os mais sábios dizem que cada montanha é um avô. Que cada montanha é uma oração, que ao ser reflexionado é repetido em voz baixa pelo vento. Nós diríamos, depois de alguns anos percorrendo por ela, que cada montanha é a si mesma, é a história que viveu, é o lugar onde nasceu, a mãe, o pai, o irmão. Por isso também acreditamos que subir a Cordilheira dos Andes no Chile não é conhecer um lugar alheio.

Subir a Cordilheira dos Andes é simplesmente voltar a um lugar que desde muitos anos já nos estava esperando.

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