Tambo restaurante.

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O restaurante Tambo é uma excelente opção para comer comida peruana em Santiago.

Percorrer as ruas de Santiago é uma das formas mais gostosas de perceber a enorme contribuição da cozinha peruana na gastronomia chilena. Uma grande quantidade de restaurantes se reúnem um ao lado do outro para mostrar o melhor da cozinha do Peru, o que tem feito que muitos chilenos hoje escolham esta cozinha por sobre a nacional. Do mesmo jeito, é fundamental saber escolher, para poder assim optar a pratos que nos falem de maneira genuína da alma peruana.

Nesta procura chegamos ao “Tambo”, um exclusivo restaurante, localizado na rua Lastarria, e que sua fama tem ido aumentando entre os amantes desta gastronomia.

Era um dia frio de chuva interrompida. Desde dentro advertem nossa pressa e nos abrem as portas, como se nos estivessem esperando para dar as boas-vindas. Ao entrar, as paredes contam a historia do seu nome. No tempo dos Incas, um “Tambo” era o lugar de relevo ou descanso dos “Chasquis” ou mensageiros. Vários centos de anos depois, este lugar volta a cumprir esta mesma função para nós, e nos permite ver a chuva escorregar pelas janelas sentados ao redor de uma quente xícara de infusão de menta com limão que pedimos ao chegar, para esquentar as mãos.

Para começar, pedimos, o que nos contou Enzo, nosso dedicado anfitrião, era o clássico da casa. “Ceviche mixto ao rocotó”. Uma mistura de peixe, camarão, lula, mandioca, milho peruano com toques de anis e pimentão, e o coentro para festejar com cores um prato que resultou ser maravilhoso. A força do rocotó é suavizada com a possibilidade de acudir a mandioca, que diminui o ardor. É um prato onde nada disputa o protagonismo, todos os ingredientes colaboram para despertar os sentidos do adormecimento que produz o frio do inverno.

Como prato principal, escolhemos um “Filete Salteado!, adaptação do clássico “Lombo Salteado”, pois aquí modificam o corte para poder agregar a suave textura do filé. Acompanhada de cebola roxa, “ají” amarelo, ciboulette, tomate, arroz branco e uma boa porção de batatas fritas, a carne parece agradecer tal companhia com a bondade dos seus sucos, que sabiamente foram reduzidos em soja, dando como resultado um substancioso molho com leve agridoce.

O “Risoto al pisco Itália” e seu amarelo furioso, chegaram na mesa deixando tudo aquilo que o rodeava, apaixonado pelo seu cheiro. Era cremoso, pelo creme de leite e o parmesão que se desfazia em fios mornos, fresco pelos camarões que apareciam entre os grãos como pequenos descobrimentos, e maduro, pelo pisco Itália e o “ají amarillo”, que ademas enchem o prato de cor. Parou na minha frente uma porção generosa, e que não deixei ir embora até o ultimo grão de arroz.

A sobremesa…. Sim, já havíamos comido muito, mas como chovia lá fora a gente sentiu que tinha que se tratar com mais carinho que de costume. Um belo “Suspiiro Limeño” de cumes nevados de merengue foi posicionado no meio da mesa, e entre o golpe das colheres, não demorou um minuto em se terminar. Ao final, a última colherada lenta, para recordar e para respeitar este ritual de panelas e fogo que trouxe a vida porque tínhamos sido devoradores da sua suavidade. Um suspiro de satisfação. Esta vez, um suspiro Santiaguino.

Desde o começo Tambo nos deu as boas-vindas. Bem-vinda que se repetia cada vez que um prato era colocado sobre a mesa, como se estivéssemos sendo recebidos em uma nova terra… É que claro, algo de isto existe quando alguém se interioriza em uma forma nova de entender a vida, e a comida é isto…. A forma que cada nação escolhe para alimentar seus próprios sonhos.

Onde está?: Patio Bellavista.

Site: www.tambochile.cl

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